A história desta história
Como surgiu esta história?
O livro nasceu de um pedido da Editora FTD (leia sobre encomenda de livros em Entrevista). Queriam uma história que mostrasse as diferenças entre meninos e meninas. A mesma proposta foi feita a mim e ao escritor Luiz Antônio Aguiar. Ele deveria mostrar o ponto de vista dos garotos, e eu o das garotas. Aguiar escreveu Tudo por causa dela! e eu O ano em que fizemos greve de amor.
Em que você se baseou?
Na minha convivência com meninas e, claro, no fato de eu ser mulher. Na minha família predominam mulheres. Tenho três filhas, três sobrinhas, três afilhadas. Minha casa vivia cheia de garotas. Em nossas conversas, as queixas delas em relação aos meninos eram parecidas: falta de romantismo, dificuldade para expressar emoções, preferência por estar com os amigos, esquecimento de datas. Sem falar nas traições... Também ouvi muita menina reclamar de atitudes dos pais e dos irmãos. Os pais não conversam e os irmãos têm privilégios, como não ser cobrados para ajudar nas tarefas domésticas.
Mas todos os homens são assim? Você não exagerou?
Claro que há exceções. Pais, irmãos e namorados mais sensíveis, solidários e companheiros. Homens com essas qualidades estão representados no personagem Décio da história. Mas eu tinha de mostrar o comportamento da maioria, até com certo exagero, para ficar engraçado. Para justificar a greve...
Há algum sentimento seu ou de suas filhas nas personagens?
De certo modo, a narradora Ceres representa os sentimentos de minhas filhas quando eram adolescentes. Elas passaram pela situação de ter pais separados, conviver com madrastas e padrastos, levar fora de namorados. E a mãe de Ceres, Rute, tem um pouco de mim. Eu vivia uma fase parecida com a dela quando escrevi o livro, em 1994.
Ceres, Cora e June partem para a vingança e depois para a greve. Você acha impossível o entendimento entre homens e mulheres?
Tanto acho possível que a história acaba bem. No fundo, o que os dois sexos desejam é se entender. Um precisa do outro para ser feliz. Então imaginei uma assembléia, onde meninos e meninas expõem suas razões e negociam as diferenças. Isso vale para todas as áreas da vida pessoal e pública. É cedendo de um lado, ganhando de outro, que as partes fecham acordos e os conflitos são resolvidos.
DZ3.
© Todos os direitos Reservados. Isabel Vieira.2008