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O verão tem gosto de sal


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A história desta história

 

Como surgiu a idéia de escrever este livro?
De um pedido da Editora Moderna (leia sobre encomendas de livros em Entrevista). A idéia era ter várias histórias, de diferentes autores, que tratassem de situações que o jovem enfrenta pela primeira vez. Além disso, cada livro deveria se passar numa época do ano (Carnaval, inverno, verão etc.). A coleção acabou não saindo. Mas quem entregou o texto no prazo teve o livro publicado. Foi o meu caso. 


Por que escolheu ambientar a história no verão?
Porque gosto de calor e de praia, e também por sua relação com o tema. Réveillon e férias de verão são épocas em que todos têm planos para o ano novo. Ideal para o cenário de uma história que trata de iniciações, não é?


 

Nessa altura, a trama já existia na sua cabeça?
Ela foi se formando aos poucos. Decidi primeiro que o protagonista seria um rapaz. Vários de meus livros têm protagonistas meninas, e os garotos sempre me cobravam sua vez. Lembrei de um filme maravilhoso, um cult do cinema americano, Verão de 42. Fui revê-lo e achei que continuava atual, embora se passe durante a II Guerra Mundial. Fala sobre o verão de um grupo de amigos numa ilha, em que eles transam pela primeira vez. 


Maruí, Piacatu e Juquirá, cenários do livro, existem?
São nomes fictícios. Mas quem conhece o litoral sul de São Paulo irá identificar que me refiro à região de Peruíbe e que a reserva da Juréia é o “paraíso proibido” onde Eric tenta em vão alcançar Clarice. Em cidades de veraneio, bares e restaurantes costumam contratar extras para trabalhar na temporada. Eric poderia ser um deles. 


Como os cavalos-marinhos entraram na história?
Caiu em minhas mãos uma revista onde li sobre esses seres interessantíssimos. Eu pensava justamente em retratar uma bióloga. Decidi então que Clarice estudaria os cavalos-marinhos, pois o comportamento deles tinha a ver com os sentimentos de Eric em relação a ela. 


E o gato Tamborim?
É uma homenagem a um gato preto igual a ele, que em certa época fez parte da minha vida. Eu o adorava. Resolvi relacioná-lo a Clarice. 


Por que a narrativa se alterna entre a primeira e a terceira pessoa?
Quando a pessoa recorda o passado, pode fazê-lo tanto “de dentro” como “de fora”. Já aconteceu de você se ver em determinada situação como se fosse pelos olhos de alguém? Eric volta a Maruí e relembra o verão que foi tão importante para ele. Na página 44, o próprio Eric explica as mudanças do foco narrativo: “Ela falava e eu me beliscava para acreditar que aquilo estava acontecendo. Como se eu não fosse o Eric, e sim um espectador de mim mesmo. Desdobrado numa lente de cinema, eu simultaneamente nos via como que através de uma câmera. Aquela mulher incrível, no tosco bar, no anoitecer esplêndido, e eu, bebendo suas palavras...” 


Foi difícil colocar-se na pele de um garoto de 18 anos?
Eu tinha receio de que Eric não fosse um personagem convincente. Que fosse sensível demais para um rapaz. Pedi a um amigo com fama de machista para ler o livro antes de entregá-lo. Para minha surpresa (e alívio), ele gostou. Disse que já tinha se sentido como Eric na adolescência e que muitos garotos iriam se identificar com ele.   

 

 


 

DZ3.

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