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Olho no lanche!


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A história desta história

 

Sempre que posso, gosto de ir à Bahia visitar parte da minha família que mora lá. Mas não é aquela Bahia que todos conhecem, a das praias, dos trios elétricos e do acarajé. É a Bahia do interior, onde as noites têm lua e estrelas, as pessoas vêem assombrações (as visagens...), a condução é o cavalo e os pratos mais apreciados são o cuscus de milho, a carne de bode e a carne de sol. Foi nesse cenário, vendo as crianças brincarem, que Olho no lanche! nasceu. E se um garoto de fora, louco por hambúrguer, quisesse introduzir hábitos da cidade grande nesta região?, pensei.

Assim surgiu Ulisses, de 11 anos, menino urbano que vai ajudar seu padrasto Mister Jones a montar uma lanchonete de fast food numa cidadezinha do Recôncavo Baiano. O empreendimento “no meio do nada” foi o pretexto que encontrei para criar situações absurdas e engraçadas, e, assim, mostrar o choque entre a cultura local e as novidades levadas pelo americano. Como diz o sociólogo Gilberto Freire na epígrafe de Olho no Lanche!, “muito do saber humano está naquilo que você come”.

O fato de Ulisses ser cego de um olho e possuir dons excepcionais no olho sadio tem uma função importante na história: contrapondo-se a Mister Jones, falso “homem de visão”, o menino enxerga e propõe formas menos agressivas de conviver e aprender com as diferenças.


 

DZ3.

© Todos os direitos Reservados. Isabel Vieira.2008